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sábado, 22 de maio de 2010
Meus traços
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Frenesi
Sua pele com um tom de cobre envelhecido parece uma escultura, ao mesmo tempo que é firme e aveludada é macia e extremamente fria. Seus lábios perfeitamente carnudos são convidativos aos meus, posso disser que são suculentos aos meus olhos, mesmo sem nunca te-los tocados já imagino o gosto doce que nasce deles. A voz que sua boca produz me estremece o corpo e prende a alma, ganha-me na serenidade.
Serenos também são seus movimentos que invadem de várias maneiras e por vários dias o meu sono. Suas mãos pequenas e delicadas são lisas como o mármore com que os antigos artistas faziam suas grandes obras. Um corpo perfeitamente belo e harmonioso, aparentemente frágil, fragilidade que ela usa de maneira sabia sobre mim.
Sou um mero brinquedo em suas mãos de criança sapeca e maliciosa. Mas devo concordar que sou um brinquedo pervertido, pois consigo encontrar prazer naquilo que ela faz comigo. E reconheço que estou viciado em suas brincadeiras já que é nesse momento que posso ser eu mesmo e dizer o que o meu corpo e alma querem lhe compartilhar.
Perante a sociedade sou eu que devo lhe passar conhecimento, já que estou recebendo e me formei para isso, entretanto abandonaria tudo para aprender como a ter para sempre em meus braços. Braços que sentem, a cada dia, que foram feitos exclusivamente para guardá-la em seu doce sono. Ela é minha boneca de porcelana francesa de rara beleza e de inocência provocante e sedutora.
Mesmo nutrindo, contra a minha vontade, esse sentimento; espero de maneira desesperada por mais um dia em que meus olhos pousarão em descanso nos seus. Arrasa-me como um minúsculo satélite que foi atingindo por um cometa.
Espero impaciente para sentir, um dia, o calor do seu corpo em meu tórax e sentir o cheiro de lavanda que exala dos seus cabelos longos e cor de cereja.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Reles Mosquitos
Nesses dias eu resolvi fazer uma horinha na biblioteca da Universidade, sabe quando você não tem lugar para ir às 17hs já que sua próxima aula está marcada para começar às 20hs? Assim estava eu, à toa na UFES. Que emoção.
Quando terminei os meus trabalhos tocava no meu celular as musicas da Yo Hitoto, uma artista japonesa, eu comecei a guardar minhas poucas coisas e de repente olhei para a janela do meu lado direito e lá do lado de fora estava uma nuvem de insetos se debatendo contra uma lâmpada fluorescente.
Não sei quanto tempo eu fiquei olhando aquilo, só sei que não foi muito, mas deu tempo de pensar na humanidade. Isso mesmo, observar mosquitos suicidas fez-me lembrar o ser humano. Tem gente que pode considerar isso como uma parábola, o legal da historia que eu não a vejo assim.
Os belos mosquitos (quando não estão me atacando atrás de sangue são belos) com o seu brevíssimo período de vida deveriam fazer algo de importante para sua espécie, entretanto não meio da noite a coisa mais bela, que ele poderia ver na curta vida dele, está ali na sua frente. Ele não sabe, ainda, porém vai descobrir de uma maneira bem DOLOROSA que aquela coisa grande e brilhante que o domina é também conhecida como morte certa. O que pode lhe tirar a vida é também o que ele mais deseja. Quanto mais perto mais difícil de desviar dessa fascinação. E sem perceber o pobre mosquito perde a vida queimando por uma fonte de luz e calor que torra seu exoesqueleto.
Em poucos segundos eu pensei nisso tudo e veio a mente o homem que é consumido até o fim pelo seu maior desejo. Será que o perigoso nos domina impiedosamente ao ponto de nos levar a queimar nossas asinhas?
Como diz alguma animação que vi, não lembro se foi Formigaz ou VIda de Inseto , “Não olhe pra luz, irmão!”
Entretanto se não tiver outro jeito, aproveite cada instante em que você se aproxima da luz.